A SOLIDÃO ME ENTENDIA
É cada vez mais comum, ao frequentarmos restaurantes, hotéis, bares, buscarmos uma rede Wi-Fi. Não nos basta vivenciar o momento presente, temos de exibi-lo aos outros. Quase sempre compartilhamos e mostramos somente aspectos felizes de nossas vidas. A felicidade surge como uma ordem. A felicidade somente! Mas, o que ocorre com todo o resto de nossas experiências diuturnas que não estão expostas no ciberespaço? O todo e o resto de nossas vidas reais, cruas, humanas? Talvez, o espaço virtual para a comunicação disposto pelos meios tecnológicos seja uma forma de nos resguardar ou evitar a solidão de nossas entranhas, das profundezas de nós mesmos. Quiçá ainda nos falte compreensão para lidar com o fato de que estar só é um estado de espírito do qual não podemos fugir, porque uma hora teremos de enfrentá-lo. Se nos versos de Clarice Lispector, ela prenuncia que o adulto é um ser lúgubre e solitário, então, não podemos nos esconder, por muito tempo, de nossa essência, do inevitável.
OBVIOUS
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